Quarta-feira, 22 de Julho de 2009

ESCRITA FORÇADA

Como comecei a fazer propaganda a este espaço no Facebook e a última vez que aqui escrevi foi no dia dos meus anos (obrigado pelas prendas, milhões de fãs!, aqui vão umas linhaças tiradas a ferros. Para não variar, one sitting, homenagem a Poe, e dedicatória à minha irmãzinha Sony.

Habituou-se ao barulho zen dos aspersores de rega às tantas da manhã como pausa espiritual do zapping e comparecia na varanda ao ritual.



A lua alinhava aos quartos, vestida ou não de nuvens, e os quadros nocturnos sucediam-se, roubando cada vez mais audiência à tv por cabo.

Um dia em que o álcool (single malt, hmmm) ajudou a quebrar a rotina, a dimensão paralela deixou-se ver e uma fada moderna dos jardins apareceu a tomar duche, vestida apenas de luar, em pleno relvado dos novos jardins.

Claro que já nada o admirava, após anos de jornalismo, e ficou ali, voyeur - isto, claro, enquanto a figura esbelta, secadas as asas, voltava iridescente aos seus domínios aéreos - pensando por que raio ainda gastava dinheiro com a alta definição...

LC

Quarta-feira, 20 de Maio de 2009

A CAMINHO DA FESTA!

Olá fãs, no dia em que completo a primeira prestação dos 47 anos (sim, nasci a 20/5/62, lembro-me perfeitamente...), começo a desvendar mais pormenores sobre a festa de sábado na minha humilde residência de Cascais.






Para já, submeto duas imagens do Google sobre o acesso via Marginal, espero que estejam perceptíveis...

Se vierem do Estoril para Cascais, virem antes do Jumbo e sigam os helicóperos; se não, têm lá as coordenadas do GPS...

E vou deixando umas sugestões de prendas, começando por estas:

Maybach Exelero - de portulatino - Fotos | carros.pt

Ou um jantar a 2 com

Photos of Famke Janssen

E por que não massagens por

Photos from Death Proof

Tchau amiguinhos, até sábado em 3D e até breve aqui no Atmosferas.

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

A DEMANDA DA AMAZONA

Ostenta a cabeleira céltica como um estandarte de dignidade, e impõe respeito pela pureza de sentimentos, que já aprendeu a depurar da ingenuidade em batalhas dolorosas.

A armadura é leve, e permite-lhe cavalgadas aventureiras, com regresso rápido à fortaleza de onde espreita a possível chegada do Cavaleiro.

Joga o jogo pelo jogo, com lealdade, sem medo de arriscar, seja qual for o adversário.

A vitória não é certa, mas o prémio vale o combate.

JOANA DÁ BAILE NO PÁTIO

A intérprete gestual e de sentimentos Joana Pereira ofereceu aos escolhidos para participar no concerto comemorativo dos seus 30 anos, no Pátio das Cantigas, uma prova de maturidade vocal e sedução interpretativa. Parabéns!

Mais intimista no projecto Indigo (ainda não tinha aquecido a voz, mas já defendia as suas canções/emoções com unhas e... cordas vocais), que alguns críticos comparam a Morpnine com mais swing e um Mark Sandman no feminino), foi-se inspirando a ver o duo de amigos estreantes que se seguiram (ambiente cúmplice em malhas de guitarra acústica, especialmente conseguido no último tema - para a próxima vez dêm o alinhamento aos jornalistas!), e estoirou no set final dos Dizcover.

Aí Joana correu riscos, partiu loiça, apanhou os cacos e reconstituiu-os em porcelana.

Mandou-nos mensagens na garrafa de água que beberricava profissionalmente, atirou-se para o chão, voou, fez dela os temas alheios e deixou clara a vocação de artista: "I Was Made For You".

Quando tinha a canção "on the road", deixava-se levar ao sabor da voz para sair num desvio aleatório e nos dar baile a bel-prazer, bem assistida ao ritmo de Sting&Copeland e pelas guitarras de Slash&Black.

Um formato que se ajusta a explorar as versões, enquanto preferamos o som mais puro e duro dos Indigo para os originais da cantautora. Isto embora esteja na forja a intervenção do bad-boy João Seixas na electrónica, o que contribuirá para novas roupagens ambientais.

Como alguém na sala disse à aniversariante - chamos-lhe Papa Bear... - "Your a Natural, kid".

Joana Pereira, uma voz personalizada a seguir no panorama musical alternativo da urbe nacional.

Luís Quaresma Costa, com Reuters

Quarta-feira, 19 de Novembro de 2008

PARA A MINHA SOBRINHA BEATRIZ

A sorte do peixinho voador

A água estava límpida, e o peixinho podia ver claramente os anzóis com iscos variados à espera que ele lhes ferrasse o dente. Mas a mamã sargo já lhe tinha explicado que essa comida (mesmo que parecesse apetitosa: minhoca, sardinha, berbigão, amêijoa, camarão...) era proibida.

Ao nadar pelo seu território, maior à medida que ele ia ganhando coragem e tamanho, enfrentava outros perigos mas ainda era pequeno para que deles fosse vítima: os caçadores submarinos nem olhavam para ele, passava nas calmas através das malhas das redes, e nem encheria a cova de um dente a um eventual predador.

A excepção a esta imunidade de que o pequeno peixe parecia gozar era o ataque aéreo. De facto, quando gaivotas e outras aves mergulhavam, nem sempre reparavam no que apanhavam: era engolir o que estivesse a jeito!



Por isso, certo entardecer de um dia de sol, o peixinho pensou que o primeiro erro da sua curta vida lhe ia custar... a morte: nadou perto demais da superfície e só teve tempo de ver a água agitar-se antes de ser capturado por um bico.

De repente viu-se dezenas de metros acima do mar, sem quase poder respirar. Mas como era um jovem inconsciente, até achou graça à sensação do ar nas escamas: já tinha saltado fora de água, mas isto era incrível. Esqueceu-se mesmo de se debater, maravilhado com a viagem.

E foi talvez por isso, ou saber que não ia matar fome nenhuma com aquela dose bebé de espinhas, que o albatroz errante o depositou instantes de pois quase dentro de água, sem uma única beliscadura, e se fez ao largo para bater, quem sabe, mais um recorde de voo planado sobre os oceanos.

Ainda hoje os safios, polvos e lavagantes mais velhos contam esta história aos jovens peixes: cuidado com o perigo que vem do ar, pois nem todos têm a grande sorte do sarguinho!

TCHÃ TCHÃ!

O SABRE DE CRISTAL

EPÍLOGO RÁPIDO – Et tu...


O caso atingira foros de escândalo nacional, e as primeiras 24 horas foram de loucos: nem Sabre de Cristal, nem Urna da Dor, nem Roberto David... As polícias, nacionais e estrangeiras, andavam frenéticas, revistando tudo quarteirões em redor, utilizando as mais intrusivas ou subtis técnicas... debalde. Prenderam o médico para apresentar serviço, mas não havia provas contra ele e, de qualquer modo, desconhecia-se qualquer móbil que o pudesse ter guiado.

Na manhã do segundo dia, Espada bateu à porta de Mariazinha.

- Espero que tenhas um bom motivo para isto. Quase que ainda nem me deitei. Estive numa festa com uns borrachinhos da escola de moda... duas não me escaparam!

- Descansa que é importante. Descobri tudo!

- A sério? Podes subir!

O jornalista usou o elevador. A porta do 4.º Esquerdo estava aberta. Entrou... e caiu inanimado com uma pancada na nuca!

- Queres que te ponha gelo? Como tive de te amarrar. Admito que tenho a mão pesada...

- Bolas! Pesada é favor! Quando é que soubeste que eu sabia?

- Foi só agora. Só vens cá quando estás bêbado, à noite, ou de dia normalmente tocas a buzina do carro para me infernizar. Tanta delicadeza tocou uma campainha...

- Touché! Isto da net é uma batota, assim os policiais clássicos nem seriam escritos! Quando descobri que o Rogério David foi teu professor de iai-do no Japão a conclusão tornou-se fácil. Ele tinha conhecimentos ocultos, e nem acreditou quando o sabre lhe veio parar às mãos, porque sabia que era um objecto mágico, que tentaria usar para obter um poder esotérico enorme. Por isso propôs-te um negócio: ficares com a urna, para venderes à melhor oferta da indústria, desde que o ajudasses a obter a arma.

- Bonita teoria. Mas como é que isso foi feito, não me dirás?

- De certo modo é simples. O bruxo tinha preparado uma das duas passagens secretas do palacete para que se pudesse aceder ao andar de baixo. Tu estavas sincronizada com ele na central televisiva e só precisavas de substituir imagens ao vivo por pequenas gravações em alturas chave, se calhar enquanto flirtavas com os colegas machos: podes ser fufa mas não deixas de ser uma mulher de se lhe tirar o chapéu. E esperta, por sinal!

- Chega de graxa, até agora isso é só policial de cordel.

- Espera. O David estava no atelier vestido com a máscara e a bata do ofício. Pelo sistema interno de tv que tu lhe montaste veio estudando os maneirismos de cada assistente e os ritmos de funcionamento da grande clínica. E sabes que, num estabelecimento desta dimensão, às vezes as assistentes vão mudando de médico, à medida das necessidades de cada doente.

- Quando chegou a vez do embaixador, quem o recebeu foi o restaurador disfarçado de mulher: com o seu corpo pequeno naquelas roupas podia adaptar-se a qualquer tipo feminino, nem que precisasse de usar saltos, o que afastaria as suspeitas de si.

- Suspeitas de quê?

- De matar o imperador com um veneno indetectável com a seringa da anestesia, antes de lhe retirar os olhos com toda a calma: quem entrasse pensaria que estava a executar qualquer operação, e podia sempre matar um opositor em caso de emergência, fugindo depois para a sua casa. Mas tudo correu como planeado. Depois usou as retinas do infeliz Rai-Cha para a leitura óptica que lhe permitiu entrar na sala de segurança de onde retirou as armas, fugindo para se encontrar contigo numa viatura. Aí já o alarme fora dado e foi-lhes fácil escapar no meio do pandemónio.

- Mas, se isso é verdade, por que não fugi? Ainda estou aqui...

- Estás aqui mas amarraste-me, e não é para teres sexo perverso comigo, de certeza... Para todos o principal suspeito é o David, que estava mais perto dos objectos e desapareceu. Mas tu e eu sabemos que está no fundo do Atlântico, algures entre o Estoril e a barra do Tejo, e decerto não deixaste margem para que seja encontrado. Só tens que deixar a poeira assentar e colher os frutos do crime. Afinal, quem desconfiaria da autoridade? Até foste tu quem revistou as instalações antes e depois, escamoteando as passagens secretas aos olhos da polícia técnica...

- Bravo! Grande novela. Então sou eu que tenho o Sabre de Cristal, não!

- Correcto e afirmativo. E estou a vê-lo daqui, na bainha daquele sabre que costumas usar quando brincamos aos samurais no kendo.

- És demasiado esperto para a tua saúde. Tens razão em tudo o que disseste. Só falta descobrirmor se a lenda está certa, se o cristalaço corta assim tão bem. Comecemos pelo teu pescoço.

- Vejamos, Mariazinha, tem maneiras... Repito, tem maneiras!!!

A lâmina translúcida aproximava-se

- Então? Tem maneiras! Tem maneiras!

- Mas que raio queres tu dizer com isso? Bom, agora vais calar-te para sempre.

A maléfica amazona preparou com cuidado o golpe, estendeu os braços num movimento circular... e viu o seu mais íntimo ser reflectido no gume curvo. A hedionda visão de viscosas reencarnações levou-a a gritar, mas nem assim conseguiu suportar o negro vislumbre da sua alma. Voltou a ponta contra o peito... e o Sabre de Cristal encontrou a bainha para que fora concebido.

Não foi o espectáculo de mais um cadáver que chocou o inspector Muralha quando, finalmente, irrompeu ao pontapé no apartamento. Foi a expressão beatífica da ex-colega Maria Rogério, com a arma mais bonita que já vira espetada entre os voluptuosos seios.

- Bolas, quantas vezes tinha de dizer a senha: “Tem maneiras, tem maneiras!” Já estava a ver-me como um peru no Natal!

- Eh pá, desculpa lá, a porcaria do microfone começou com interferências, e fui eu que decidi avançar por minha conta.

- Olha, que se lixe, acabou tudo em bem. A polícia recuperou os objectos, o Governo salvou a face, o Olmestão vai continuar a viver do petróleo com verniz da tradição a disfarçar, a Mariazinha encontrou a paz no sono eterno, e eu vivi para contar a história num livro que me vai dar pipas de massa.

- OK, estiveste bem, mas, mesmo assim, tens de admitir que tiveste um bocado de sorte. No entanto, mas não desdenhava ter-te na brigada. Já pensaste em tornar-te detective?

- Bom, pensar já pensei, mas estou farto de trabalhar para quem me impõe regras. Um dia, quem sabe me encontras a atrapalhar-te os passos numa espera ao mesmo suspeito? Há para aí muitos Marias e Manéis à beira do abismo...




LUÍS COSTA

Quinta-feira, 30 de Outubro de 2008

TININITININITININI....


O SABRE DE CRISTAL

CAPÍTULO III – Tudo se desenrola

O repórter dormiu como um bebé – se mais um atentado destes lhe tirasse o sono era melhor mudar de vida – e resolveu debruçar-se mais um pouco sobre as questões em volta do sabre e do relicário. Juntos tinham superior importância simbólica e religiosa, separados valiam intrinsecamente: pelo contributo que o cristalaço - confirmadas as propriedades da lenda, em especial pelo manuseamento do especialista David - poderia trazer à tecnologia moderna, se pudesse ser replicado, e pela raridade única de tais antiguidades. Algo por que valia a pena matar, cogitou...

Pensamentos não eram tidos quando Mariazinha lhe ligou.

- Lembras-te daquela dica que te dei? Das velharias estrangeiras?

- Sim, abriste-me o apetite, e até já me interessei pelo assunto

- Pois a mim já me estragaram o pequeno almoço. O imperador foi assassinado, e logo quando eu estava de serviço! Foi uma confusão do caraças!

- Assassinado? De certeza?

- Pensa-se que envenenado, com uma daquelas toxinas que é muito difícil detectar. Só a autópsia o dirá. E eu estava na sala de vigilância a tempo inteiro, com os olmestinos, e ninguém sabe dizer como tudo aconteceu! Vale mesmo a pena ir fazer cursos ao FBI e à MOSSAD para isto! Tudo o que puderes fazer por fora para me ajudar é bem-vindo...

Foi ter com ela, e, mesmo com o passe especial e a cunha telefónica, quase lhe batiam antes de chegar ao local do crime.

- Olá fofinho, as minhas amigas têm-te tratado bem?

Ainda não se tinha habituado a saber que aquela ruiva, um mulherão de quase 1,80 metros e curvas de fazer uma modelo verde de inveja, gostava tanto ou mais de mulheres do que ele. Mas, também, era filha de um general, e tinha corrido Mundo quase a brincar com baionetas e rodeada de fardas... Deu nisto.

- Precisas mesmo de mim, para não entrares logo à bruta como é costume...

- Até parece verdade. Bom, é assim: o nosso esticadinho aproveitou a estada para completar a dentadura no consultório do dr. Ricardo. Segundo a assistente, o odontologista completou a primeira parte do implante, deu os pontos nas gengivas. Depois ela subiu a cadeira, pediu-lhe para bochechar com água, não se mexeu... e quando lhe tiraram o pano da cara estava morto. Sem um pio! E sabes o que é mais estranho? Não consegues adivinhar!

- Faltavam-lhe os olhos...

- Como é que...

- Isso agora não interessa, confirma mas é já se, na confusão, as preciosidades ainda lá estão. O mais certo é irem longe a esta hora...